Fazendo como os pombos

Foto: Joyce Fonseca

21 de junho de 2016

Querido diário,

É de manhã, bem cedo. Faz frio.

 Agora há pouco eu estava ali, perto da janela, tomando uma xícara de café bem quente e olhando o Pico do Itacolomy, meio encoberto pela bruma.

Uma certa tristeza encostou do meu lado.

Jorge K viu aquilo e falou: “que foi, filho?”

Pô Jorge K? Você não disse que a gente ia correr trecho, queimar chão, ganhar mundo? Quase nem saímos do lugar!

“Senta aqui, que eu vou te contar uma história”. Disse ele, paterno.

“Você sabe como os pombos fazem?” – prosseguiu.

“O pombo é transportado em uma caixa fechada no fundo de algum porta-malas até um destino ignorado. Chegando lá, ele é solto e alça um voo rudiado, estudando o céu. Num certo momento inexplicável, ele encontra a direção precisa e parte em disparada, num rumo certeiro”.

Ouvi aquilo tudo e achei bonito. O coração aquietou.

Querido diário. Ainda não partimos, é verdade. Mas é só uma questão de quase.

Continuamos por aqui:

Rudiando… rudiando…

Rudiando.

Jorge Fonseca